
A política de Serra Talhada tem seus personagens e suas viradas de roteiro — e ninguém tem protagonizado uma reviravolta tão comentada quanto o vereador André Maio.
Conhecido por fazer oposição ferrenha à prefeita Márcia Conrado (PT), o parlamentar agora atua como um fiel aliado da gestora. Mas, junto com a guinada no discurso, vieram também os benefícios — inclusive para a família.
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Até pouco tempo atrás, André era o vereador das denúncias e da indignação. Criticava a gestão, acusava a base governista de derrubar seus projetos e dizia que as câmeras de videomonitoramento só serviam para multar os serratalhadenses. Chegou a afirmar que a Prefeitura impedia o avanço de propostas importantes, como a criação de cursos na rede municipal, que foi rejeitada pelos aliados de Márcia Conrado.
Mas bastou um movimento político e tudo mudou.
Agora, André Maio se apresenta como defensor da gestão. Passou a elogiar a prefeita em discursos públicos e até votou pela reprovação das contas do ex-prefeito Luciano Duque, mesmo com parecer favorável do Tribunal de Contas do Estado. A atitude gerou críticas nas redes sociais, tanto pela incoerência quanto pela adesão repentina à base petista da Câmara.
Mas o que chamou mesmo a atenção da população foi o “bônus” dessa aproximação: o vereador conseguiu emplacar o próprio irmão na pasta de Agricultura. Coincidência ou recompensa política? O povo já tirou suas conclusões.
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E se antes a Prefeitura era o principal alvo das críticas de Maio, agora ele redirecionou sua mira para o Governo do Estado, na figura da governadora Raquel Lyra (PSDB). O que chama a atenção é que, mesmo atacando a gestão estadual, o vereador tem familiares nomeados no próprio Governo de Raquel. Ou seja: enquanto aponta o dedo, garante espaço para os seus.
A sequência de contradições virou combustível para a insatisfação popular. Muitos serratalhadenses questionam que tipo de representatividade está sendo exercida por um vereador que muda de lado, de visão e de opinião com tamanha rapidez — e conveniência.
De oposição combativa a integrante da base governista, de crítico da prefeita a defensor da sua gestão, e agora crítico da governadora onde tem parentes empregados. Parece que, para alguns, o discurso é adaptável ao sabor dos cargos.
A política vive de posicionamento. Mas quando o posicionamento muda ao sabor das vantagens, perde-se a essência da representação. E é isso que muitos em Serra Talhada têm apontado: uma Câmara que perdeu o respeito, e um vereador que perdeu a coerência.
Enquanto isso, a população observa, avalia — e anota.









