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Cachê de Panda chega quase meio milhão no São João de Serra Talhada; Mais de 1 milhão só com atrações

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Cachê de Panda chega quase meio milhão no São João de Serra Talhada; Mais de 1 milhão só com atrações

Guilherme Azevedo
Guilherme Azevedo
Publicado em 22/06/2026, 12:23
Atualizado em 22/06/2026, 12:23
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O Painel da Transparência dos Festejos Juninos do Ministério Público escancara números que, no mínimo, provocam reflexão sobre a condução do São João de Serra Talhada. O levantamento realizado pelo Repórter Ligeirinho revela que a atração mais cara da programação foi o cantor Panda, contratado por R$ 453 mil — valor que flerta com a marca de meio milhão de reais pago com recursos públicos para uma única apresentação.

Na sequência do ranking de cachês aparecem Forrozão Tropykália e Paula Mattos, ambos recebendo R$ 200 mil, seguidos por Wallas Arrais (R$ 180 mil) e Ciel Rodrigues (R$ 140 mil). Os números, somados, ajudam a dimensionar o peso financeiro da festa: apenas as contratações listadas chegam a R$ 1.287.500,00.

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Apesar da popularidade do artista e do apelo digital que o cantor Panda carrega nas plataformas de streaming, a escolha e, principalmente, o valor envolvido acenderam um sinal de alerta entre parte da população. Nas redes sociais e até durante os festejos, cresceu a percepção de que a programação teria se distanciado da essência do São João tradicional, abrindo espaço para questionamentos sobre o equilíbrio entre mercado e cultura.

O ponto central da crítica não é apenas o nome contratado, mas o simbolismo do investimento: meio milhão em um único show enquanto o evento junino, historicamente ligado ao forró pé de serra e às manifestações populares nordestinas, vai sendo progressivamente remodelado por uma lógica mais comercial do que cultural.

ATRAÇÕES SJ

Em paralelo, também não faltam observações sobre o contexto urbano de Serra Talhada, onde problemas estruturais seguem sendo lembrados por moradores — o que reforça ainda mais o contraste entre prioridades de investimento e demandas cotidianas da população.

Faltou maior valorização das raízes juninas, com espaço mais robusto para artistas ligados diretamente ao forró tradicional e à identidade sertaneja. A discussão, portanto, vai além do palco: toca na forma como a gestão Márcia Conrado define o que é cultura, o que é espetáculo e, sobretudo, o que merece prioridade no uso do dinheiro público.

No fim, os números expostos pelo próprio painel de transparência não deixam margem para neutralidade: tratam-se de cifras elevadas que inevitavelmente alimentam o debate entre festa, tradição e responsabilidade na gestão dos recursos.

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