Povo paga taxa do lixo, Prefeitura atrasa pagamentos e Serra Talhada começa a virar lixão

A coleta de lixo voltou ao centro das reclamações em Serra Talhada. Moradores de bairros como AABB, Caxixola e Ipsep relatam demora na passagem dos caminhões compactadores e acúmulo de resíduos nas ruas. Mas o problema pode ir muito além do lixo esperando na calçada.
Todo ano, contribuintes do município pagam a Taxa de Coleta de Resíduos Sólidos (TCR), cobrança destinada justamente ao custeio desse serviço. Enquanto o dinheiro sai do bolso do cidadão, um levantamento feito pelo Repórter Ligeirinho em dados públicos aponta pagamentos pendentes relacionados à destinação final dos resíduos coletados no município.
Segundo os registros consultados, aproximadamente R$ 391 mil em despesas já liquidadas ainda aparecem sem pagamento à empresa responsável pelo recebimento dos resíduos no aterro utilizado em Afogados da Ingazeira.
Entre os valores está uma despesa referente a serviços prestados em novembro de 2025, superior a R$ 181 mil, além de aproximadamente R$ 210 mil referentes a setembro de 2026. Em outras palavras: são despesas que passaram pelas etapas de empenho e liquidação, mas cujo pagamento ainda não aparece efetivado nos dados consultados.
Atualmente, os resíduos recolhidos em Serra Talhada são transportados para destinação final fora do município, com viagens frequentes dos veículos responsáveis pelo transporte. Por isso, qualquer dificuldade envolvendo o recebimento ou a destinação do material pode provocar reflexos em toda a operação de coleta.
O Repórter Ligeirinho recebeu ainda imagens que aumentam a preocupação. Um caminhão compactador aparece descarregando resíduos em uma área localizada nas proximidades da Secretaria Municipal de Iluminação Pública, onde funcionava a antiga estrutura do Corpo de Bombeiros.
Moradores da região também relatam forte mau cheiro nas proximidades.
A situação precisa ser esclarecida pela Prefeitura de Serra Talhada: por qual motivo resíduos estariam sendo descarregados naquele espaço? O local possui autorização ambiental para receber esse material? Existe armazenamento temporário regularizado? E os pagamentos pendentes têm alguma relação com os atrasos relatados na coleta?
São perguntas que precisam de respostas.
O caso também merece atenção do Ministério Público e dos órgãos ambientais e de controle. Afinal, enquanto a população paga a TCR e espera pelo serviço, lixo acumulado nas ruas e possíveis pontos de descarte dentro da cidade não podem virar parte da rotina.
O Repórter Ligeirinho deixa o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Serra Talhada e das empresas envolvidas.
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