Projeto usa Frankenstein para debater inclusão e preconceito em escola de Serra Talhada

A literatura ganhou espaço para discutir inclusão, diversidade e preconceito durante a culminância de um projeto desenvolvido na Escola de Referência em Ensino Médio Solidônio Leite, em Serra Talhada. A iniciativa utiliza a obra “Frankenstein”, de Mary Shelley, como ponto de partida para abordar situações de exclusão presentes na sociedade.
Orientado pela professora Maysa Cavalcante, o projeto contou com a participação dos estudantes e a parceria de integrantes do PIBID, ligados à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Segundo a professora, a proposta foi levar a discussão sobre inclusão para além da sala de aula e envolver toda a comunidade escolar.
“É um tema muito importante, que é a inclusão na escola e na sociedade. Por meio desse projeto, em parceria com o PIBID, conseguimos desenvolver ações, reflexões e ensaios para chegar a essa apresentação para toda a escola”, explicou Maysa.

A programação da culminância reuniu diferentes atividades preparadas pelos próprios estudantes dos primeiros anos, incluindo apresentação introdutória, pantomima — modalidade de teatro sem falas —, podcasts e um júri simulado inspirado na obra.
A estudante Maylly Monyk destacou que o processo exigiu leitura, preparação e vários ensaios. Para ela, a expectativa é que as apresentações consigam transmitir ao público uma das principais mensagens trabalhadas durante o projeto: a necessidade de inclusão apesar das diferenças.
Também participante da iniciativa, Arthur Gomes, estudante do curso de Letras da UFRPE e integrante do PIBID, explicou que a obra foi trabalhada em etapas, passando pela leitura, discussão e preparação das apresentações.

Segundo Arthur, a trajetória da criatura de “Frankenstein”, rejeitada inicialmente pelo próprio criador e posteriormente hostilizada pela sociedade, permitiu estabelecer reflexões sobre preconceito, discriminação e exclusão.
“A criatura acaba lidando com a hostilidade da sociedade, com a exclusão, com o preconceito e com a discriminação”, destacou.

A partir dessa perspectiva, o projeto propõe aos estudantes analisar as atitudes dos personagens e compreender como a rejeição pode afetar aqueles que são tratados como diferentes. No júri simulado, os alunos assumem personagens e apresentam diferentes pontos de vista sobre os acontecimentos da obra.
Ao unir literatura e questões sociais presentes no cotidiano, a iniciativa busca reforçar entre os estudantes uma mensagem central: as diferenças não devem servir como motivo para exclusão e o preconceito pode ser um dos maiores obstáculos para uma sociedade verdadeiramente inclusiva.
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